Os irmãos Joesley e Wesley Batista, controladores da JBS, compraram 100% da Nova AVB, controladora da Avibras Aeroco, no final desta semana.

A Avibras é brasileira e figura como a maior fabricante privada de sistemas de defesa do Brasil. O negócio foi feito por meio da Globe Investimentos, veículo pessoal de investimentos da família Batista, e marca a entrada dos empresários em um setor completamente novo para a holding J&F.

A transação ainda não foi efetivada e precisa passar pelo crivo do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

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A grande especialidade da epresa é o sistema de artilharia Astros, de mísseis como o MTC-300, alé de sistemas antiaéreos e motores de propulsão sólida usados também no programa espacial brasileiro.

Seu faturamento oscilou bastante ao longo dos anos. Em 2012 foi de R$ 154,6 milhões e chegou a R$ 1,7 bilhão em 2017, que foi seu melhor ano, em um período de performance positiva puxada por exportações.

No entanto, a Avibras entrou em recuperação judicial em 2022 e, desde a retomada da produção em 2026, ainda não voltou a divulgar números anuais.

Ao acessar o site da empresa, é exibida a mensagem:

"A Avibras Indústria Aeroespacial S.A. encontra-se em Recuperação Judicial, nos termos do processo nº 1002302-16.2022.8.26.0292, em trâmite perante a 2ª Vara Cível da Comarca de Jacareí/SP."

A administradora judicial é a Deloitte.

Quando surgiu a Avibras

A companhia foi fundada em meados de 1961, em São José dos Campos, no interior de São Paulo, quando um grupo de engenheiros recém-formados no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) decidiu fundar a empresa.

O nome a frente da marca, inicialmente, foi o de João Verdi Carvalho Leite.

O primeiro grande projeto da Avibras foi um avião de treinamento básico batizado de Falcão, feito para a Força Aérea Brasileira (FAB).

Todavia, a empresa encontrou seu caminho um pouco mais tarde, com a fabricação de mísseis militares através da química de propelentes sólidos, desenvolvida ainda naquela década.

Em 1965, a empresa teve participação no projeto do foguete Sonda, junto ao CTA, o que ajudou a empresa a consolidar a tecnologia de propelentes sólidos mais tarde, que usaria para criação de armas.

Ainda nos anos 1970 vieram os foguetes da linha SBAT, mas o salto decisivo aconteceu em 1981, quando a Avibras assinou um contrato de US$ 500 milhões para vender mísseis ao Iraque, então em guerra contra o Irã — um negócio grande o suficiente para obrigar a expansão de sua planta industrial em São José dos Campos.

Dois anos depois, em 1983, nascia o produto que se tornaria a assinatura da empresa, o Astros II.

Astros é um sistema de artilharia composto por lançadores múltiplos de foguetes montados sobre veículos móveis.

O sucesso comercial do Astros foi rápido e expressivo. Só entre 1982 e 1987, as vendas do sistema somaram cerca de US$ 1 bilhão, o que o tornou a arma mais lucrativa já fabricada pela Avibras e ajudou a colocar o Brasil, naquele período, entre os seis maiores exportadores de armas do planeta.

No auge dessa fase, a companhia chegou a empregar cerca de 6 mil pessoas.

O cenário foi negativo para a companhia anos mais tarde, com o fim da Guerra Fria, que derrubou a demanda global por armamento pesado.

Quem eram os donos da empresa de mísseis brasileiro

O controle permaneceu concentrado na família do fundador ao longo de praticamente toda a sua história.

Depois da morte de João Verdi Carvalho Leite, em um acidente em 2008, seu filho, João Brasil Carvalho Leite, assumiu a gestão da companhia e chegou a deter 94,7% das ações, com o restante pulverizado entre mais de 500 acionistas minoritários, entre eles funcionários da própria empresa.

Esse arranjo familiar só começou a se desfazer quando as dificuldades financeiras, que já vinham se acumulando desde 2018, culminaram no pedido de recuperação judicial, protocolado em março de 2022, com dívidas de R$ 394 milhões.

FONTE/CRÉDITOS: Forbes Brasil